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Palestra | Empreendedorismo e Gestão Empresarial com Foco em Resultados: Adm. Fernando Cirino

 

PALESTRA | FERNANDO CIRINO

26 DE ABRIL DE 2019 (M) | AUDITÓRIO DO CESA/UECE

TRANSCRIÇÃO/DECUPAGEM: KARYNE LANE | ESTAGIÁRIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO

 DISPONÍVEL NA ÍNTEGRA AQUI

 

Vladimir Spinelli cumprimenta a plateia e realiza a abertura do evento. O cerimonialista dá as boas vindas e convida para compor a mesa. Realiza, em seguida, leitura de um mini-currículo do palestrante, Fernando Cirino.

 

 

O presidente da ACAD, João Alves de Melo, faz uma fala de apresentação da atividade e dá as boas vindas ao convidado. Em seguida, passa a palavra para Fernando Cirino.

 

 

Fernando Cirino — Bom dia a todos! Inicialmente, eu queria agradecer esse honroso convite para estar aqui, com tantas pessoas queridas e dedicadas à causa… no desenvolvimento do nosso estado e do nosso país. João Melo, essa figura exponencial que me provocou para vir até aqui né… E eu adiei, não foi? Tinha viagens e tudo mais, mas aqui estou! Não podia deixar de atender a esse chamado. E aqui tive prazer de rever tantos amigos, Sérgio Bezerra, Vladimir… Que se aposentou um dia desses! (risos).

 

E o tempo vai passando, tantos amigos queridos que aqui estão… E falar para um plateia seleta dessas é uma honra, é uma honra falar para vocês. Eu tenho tido a oportunidade de dar um pouco de contribuição àquelas pessoas que realmente se interessam em compreender como é a vida de quem passa a sua vida toda focada no empreendedorismo, teimando né, em condições tão adversas como nós temos aqui no Brasil — que é um país de um potencial gigantesco, e é isso que eu queria focar aqui hoje para vocês. E que, apesar das adversidades, eu estou aqui vivo, conversando com vocês.

 

 

Dezembro do próximo ano completa-se cinquenta anos de luta: comecei em dezembro de 1970, na Fundição Cearense, que foi uma empresa de meu bisavô (ali tem um retrato da Fundição Cearense, aquele retrato é de 1901, essa empresa foi fundada em 1855 por dois irmãos ingleses e vendida para o meu bisavô em 1903; de lá para cá ficou na família). Meu pai perdeu seu pai com 5 anos, perdeu a mãe com 16 anos, e assumiu a Fundição Cearense aos 16 anos de idade; foi emancipado e assumiu aos 16 anos de idade. Aos 22 anos casou com a minha mãe, deixou a Fundição Cearense hibernando e foi investir nessa parte de fazenda. Eu cheguei lá aos 18 anos de idade, em dezembro de 70, e eu digo que lá foi a minha escola… A Fundição Cearense foi a minha escola, foram 6 anos dedicados a uma causa que foi uma maravilha… Meu pai teve a coragem de confiar a um cidadão de 18 anos de idade aquela empresa que ele herdou e veio do bisavô dele. E ali, como a empresa era muito pequena (apesar de ser centenária), papai dedicou-se à atividade agropecuária, que na época era o que dava dinheiro aqui no Ceará — gado e algodão. Papai criou 10 filhos com gado e algodão, fazendas em Quixeramobim, Quixadá, no Maranhão, aqui no Maranguape, aqui ao lado da UECE (papai chegou a criar mil bois aqui do lado da UECE)… Onde é a Academia de Polícia era outra propriedade, a Granja Silvana (em homenagem à minha irmã), então eram fazendas aqui mesmo, dentro da cidade.

 

Eu cheguei à Fundição Cearense depois desses 6 anos e apareceu oportunidade de comprar a Metaneide. A Metaneide era de Zé D’Paula Doca, e eu na Fundição Cearense me incomodava muito que a gente produzia de tudo… Eu conheci o parque industrial do Ceará todo porque a Fundição Cearense prestava serviço na área de fundição, na área de usinagem, de caldeiraria, fazia de tudo! Mas meu sonho era produzir em série, e com a Metaneide, aos 24 anos de idade meu pai deu o aval — por conta desse aval ele ficou com 50% da empresa, e eu fiquei contente porque se ele não tivesse dado esse aval eu jamais poderia ter comprado essa empresa, né? Então foi uma coisa muito gratificante. Meu pai, além de pai, sempre foi um grande amigo meu. Confiava em mim, e a minha gratidão por ele ter acreditado em mim foi uma coisa assim que, quando ele partiu, agora em 2014, eu passei uns 6 meses desorientado, né? Porque a minha relação com ele era muito grande.

 

Aí, 1 ano e meio depois que eu comprei a Metaneide, aos 25 anos tinha 500 colaboradores. Rapaz, essa empresa aqui é que eu sou o segundo de uma família de 10 e só vou ficar realmente livre para poder definir meu caminho arriscando por conta própria. Aí, mais uma vez meu pai disse: “Meu filho, você quer comprar esse negócio mesmo? Você tem certeza?”; “Quero, pai, quero…”. 

 

[Microfone apresenta problema técnico]

 

Aí, então… “Tem certeza que quer comprar esse negócio?”; “Se os homens derem pista é comigo mesmo! Se botarem uma pista aí…”; “Não, eles dizem que fazem em 30 meses”; “Não, aí é uma pista curta... Era pra Boing, né?”. Compramos um negócio para pagar de 6 meses. Mas aí, compramos um prédio lá na Barra do Ceará, ali na Francisco Sá. Quando a cereja estava toda prontinha: “Meu querido pai, meu amigão, eu tenho uma proposta para lhe fazer. Quer um prédio aí todo alugado (aluguéis magníficos, robustos) e eu fico quebrando pedra lá na Metaneide?!”. E a proposta ela é de mão dupla, se o senhor não quiser, bote meus irmãos para trabalhar na Metaneide e eu fico com os aluguéis. No outro dia ele disse: “Meu filho, eu aceito”. 

 

Na época, eu devia ter banco de sangue; era uma loucura: de manhã era na empresa e de tarde dentro dos bancos — Major Facundo, Floriano Peixoto, Barão do Rio Branco, Banco do Brasil (aquele prédio na Duque de Caxias recém-inaugurado). E a gente dentro dos bancos direto para descontar duplicata. Era eu, Zé Carlos Pontes, da Marquise, era aquele menino Delfino, era o Beto Studart, era Zé Pessoa de Araújo montando a TV Uirapuru... A gente se encontrava toda tarde, Ronaldo Barbosa Caminha… e a gente se encontrava no meio da rua, com pastinha debaixo do braço, sempre descontando para fazer dinheiro. Eu conto isso para vocês se conscientizarem que não tem nada fácil, não. Às vezes a pessoa diz que esse país é muito complicado, e a gente botar a culpa no país é muito fácil. Você terceiriza o problema. E não é por aí, primeiro você tem que saber o que é que você quer da vida. Segundo, é gostar daquilo que faz. Você gostando daquilo que faz, seguramente o sucesso é uma consequência natural.

 

A Metaneide, nós ficamos no ar de 77 até 96, em 96 nós montamos a Durametal ali no distrito industrial de Maracanaú. Eu tinha a Metaneide, quando nós compramos ela era a menor de 12 fábricas brasileiras e hoje é a maior do Brasil. Das 12 só tem 3 diretores e uma está semi-falida; e o segundo lugar bem distante da Durametal. Então, a Durametal hoje está com 7,5 toneladas por mês de produção. Naquele tempo, a Fundição Cearense (quando eu comecei) eram 3 toneladas por mês; e hoje são 7,5 toneladas/mês. De 3 toneladas para 7,5, então diariamente são mais de 200 toneladas por dia. Nesse intervalo, muitos erros foram cometidos. E eu aprendi tarde uma coisa que eu quero dizer aqui pra vocês hoje, principalmente aqueles que estão iniciando a vida. Meu amigo João Melo aí já tem uma estrada boa… Essa primeira fila aqui já tem uma estrada boa, não tem mais que errar nada não. Eu errei muito, viu? Eu errei demais. E o erro mais caro é aquele que você comete; o erro mais barato é o erro dos outros. O erro dos outros é baratíssimo, desde que você aprenda com o erro alheio. Aquele cara fez aquilo e não deu certo, aí tu vai querer fazer a mesma coisa?! Faça a mesma coisa, mas procure fazer de uma forma diferente, aprenda, veja qual foi a pisada na bola que deram, que esse é o erro mais barato. O erro quando é seu, o erro próprio é muito caro.

 

Errei lá na siderúrgica União, lá no Rio Grande do Norte. O projeto lindíssimo, montei a siderúrgica, tinha 30 anos de idade. Investi bastante dólares, 8 milhões de dólares de investimento, interior do Rio Grande do Norte (cidade de Currais Novos, província ferrífera do estado do Rio Grande do Norte, Rio Grande do Norte na época em que o ministro de Minas e Energia era um japonês). Fomos lá no Rio Grande do Norte, uma festa danada… No dia que inaugurou eram 8 aviões lá no pátio lá na frente, uma festona danada! E eu montei a siderúrgica lá, era o próprio rei do Rio Grande do Norte, “olha o homem do ferro do Rio Grande do Norte!”. Rapaz, para quem estava com 35 anos de idade é um negócio bacana, viu? Aí tocamos a usina, para começar a produção o grupo antecipou 10 mil toneladas pagando antecipado, meu filho… Ô, rapaz, outro dia estava trocando duplicata no banco, agora recebendo dinheiro antecipado?! Esse é que é o negócio! E estava mandando brasa… A empresa faturando e  produzindo dia e noite! Meus amigos, para minha surpresa, 1 ano e meio de funcionamento, Geraldo telefona pra mim e diz: “Doutor, essa jazida nossa, eu acho que mais 3 meses ela vai pro espaço”.

 

Eu digo “Como é a história, rapaz? A província mineral acabou-se mesmo?”; “Doutor, não é brincadeira, não… Tem aquelas outras áreas requeridas, vamos trabalhar naquilo porque essa daqui, em Serra da Formiga, aqui é de formiga mesmo! (risos) Ferro aqui vai pro espaço, não tem, não”. Eu digo “danou-se”, né? Eu sei que um belo dia, dia 1º de maio (feriado), eu estava lá na Lagoa do Banana, na casa onde me divertia bastante lá, aí eu e meu sócio pegamos um aviãozinho e fomos lá para uma cidade chamada Caicó. Pegamos uma Toyota e quando menos esperamos, tinha lá uma represa subindo um morro chamado Jucurutu, lá tinha um pico que tinha ferro lá. Nós subimos pegando chuva e tudo mais, atrás de minério de ferro. O desespero era tão grande que a gente atravessou a represa de canoa no remo, subimos à pé no morro, uns 350 metros de altura, chuva, tava eu e meu sócio lá vendo as trincheiras…

 

Resumo da história: terminamos trazendo três embarques de navio de minerais daquela região onde houve essas bronca aí de Brumadinho e etc e tal, e Mariana… De trem até Vitória, Vitória pegava um navio até Cabedelo, ainda tinha que pegar um caminhão e pagava em cash, etc… Só pensei “Meu amigo, no quinto embarque eu quebro!”. Aí eu programei, disse “pare esse negócio”. A usina toda montada, linda, dentro no figurino! Aí paramos a usina. Agora vamos ver o que é que a gente faz com isso, né? Aí, para você ver como são as coisas de Deus, né… Apareceu o grupo Votorantim. O petróleo muito caro na época, vendemos o rejeito do ferro lá, o pó do ferro para 40 mil toneladas de finos de minérios… Como essas 40 mil toneladas era um preço bom pro fino do minério, o custo pra gente de extração era 3 dólares, aproximadamente (só que ele já tava extraído, era só botar em cima do caminhão, não era nem isso). E vendi por dólares na época, entendeu? Com isso aí pagamos todos os bancos, todos os colaboradores já estavam pagos, e os financiamentos de BNDES, Banco do Brasil, Banco de Sangue (risos), pagamos tudo. Eu digo “agora passa a chave aí”. Consegui vender a usina que tava novinha, foi para o Maranhão, se instalou lá (que lá era que ela devia ter sido instalada originalmente). E funcionou até pouco tempo, hoje a maioria das usinas lá do Maranhão estão fechadas por causa de problemas ambientais.

 

Então, o Brasil exporta minério de ferro em natura, a China agrega valor, produz o aço e vende para a gente aqui de novo. A maioria do aço consumido no Brasil vem da China e a maioria do minério de ferro do Brasil é exportado pela Vale, então o Brasil não aprendeu o dever de casa, não. São as coisas que a gente vê e que, se eu imaginasse que na siderúrgica eu ia cometer aquela bronca toda, eu jamais teria entrado nisso. Mas eu estou dizendo isso para vocês porque na vida do empreendedor não existe só o certo, não, existem os erros, os equívocos que precisam ser mencionados para que isso sirva de orientação para aqueles que têm realmente o desejo de empreender. É ter cautela antes de derivar por alguma opção que queira se implantar determinado empreendimento: estudem bastante antes. O papel aguenta tudo! Então, estudem esse negócio. A Companhia Siderúrgica do Maranhão foi um caso parecido, mas tava lá no Maranhão, foi locada no canto certo mas hoje está parada por problema ambiental. E eu vendi ela antes. Quando eu vi o terrorismo em cima do negócio ambiental, eu vi “não serve pra mim”, caí fora.

 

Esse parque aí era indústria de plástico. Ora, eu nunca tinha produzido nada de plástico, fui me meter a fabricar frasco plástico lá em São Paulo, em Barueri. Meu amigo, o que nós investimos lá, tudo virou mingau. Tudo virou mingau! Compramos o equipamento antes de construir o prédio, o equipamento foi ficando obsoleto antes da coisa ficar pronta, e uma área muito dinâmica, né? Frasco plastico é embalagem e embalagem é uma coisa altamente dinâmica. Você antigamente usava aquela lata metálica que não existe mais, hoje a coisa vai evoluindo numa velocidade grande. Então, aqueles fabricantes que fabricavam carburador não existem mais, vários equipamentos que eram produzidos hoje não são mais. O que era Kodak no passado transformou-se em que? Quando eu recebi um canadense lá na Metaneide, ele viu a máquina de telégrafo e eu digo “ah, o nosso telégrafo aqui”, aí ele “não, lá a gente não usa mais isso, não”. Eu fiquei morrendo de vergonha!

 

E a história, hoje essa diferença diminuiu, só que a cultura nossa não evoluiu muito, não. É, a gente tem que realmente escapar e sobreviver a todos esses planos econômicos que passamos, a gente tem que perseverar bastante. Então, pessoal, lá na Durametal, que foi a coisa mais marcante da minha vida empresarial, nós quando pegamos aquilo ali era 500 toneladas por mês de produção, hoje está com 7,5 toneladas. Quem toca hoje é meu filho, e não eu. O controle acionário é do estrangeiro, não é mais nosso, mas meu filho é acionista lá e o filho do meu sócio também é acionista, quem toca a empresa não é nenhum estrangeiro lá. E a empresa vai muito bem, obrigado, apesar de todas essas adversidades. Tivemos 3 anos de crise aí pesada, deu prejuízos nesses 3 anos, mas ano passado deu um azul que recuperou todo o prejuízo e muita coisa mais. E esse ano é um ano altamente promissor. Trabalho 24h/dia, ela tá sozinha no mercado, exportando de 30 a 40% da produção, além de montagem da Mercedes, da Scania, da Honda… E lá nos Estados Unidos, Canadá, que de 30 a 35% da produção se destina para lá, a empresa tá indo bem.

 

Aí, com a venda da Durametal, que se deu em 2016 (o último trâmite foi agora em 2017, um ano depois), eu digo “Olha, eu não quero mais saber de indústria. O negócio é muito estressante, muito animado pro meu gosto. Já dei minha contribuição, agora eu vou nadar em outros mares”. Aí, foi feito um negócio e eu já vinha investindo no setor imobiliário, paquerando com o setor de energia renovável… E a paquera com energia foi uma paquera muito longa, justamente por causa disso que eu tô dizendo para vocês: você tem que mergulhar nisso com muito cuidado, porque pode ter uma barreira bem grande na sua frente e você não enxerga. Ela ali debaixo d'água e, quando você menos espera, você morre afogado. Então, foi muita cautela nossa, foram mais de 10 anos de estudo para eu adquirir o Parque da Prainha. São dois parques eólicos lá e que nós estamos atuando nisso, né? E na parte de energia solar, que está sendo posto em funcionamento, são três usinas de 27 mega, lá na Chapada do Apodi serão mais 270 megas. Aqui no Aquiraz é um grupo inglês que está implantando e lá no Apodi provavelmente é a Shell Renováveis.

 

É petroleira entrando em energia solar, então eu acho que é um caminho sem volta. Quando as petroleiras resolvem entrar é por isso que foram dominados. Porque as petroleiras já jogaram a toalha, porque viram que é irreversível. A não ser que eles queiram que o mar continue subindo de nível, a não ser que eles queiram que a população ande com máscara lá… Porque tem cidades da China que a energia é à carvão e o ar fica irrespirável, e sem respirar ninguém consegue viver, não. Então, a China, há mais de 5 anos, ela é o maior incrementador de energia limpa, não só eólica como solar. Ela está botando a matriz dela numa velocidade muito grande, os Estados Unidos e a Alemanha também, numa velocidade gigantesca, porque os consumidores de carvão estão com os dias contados. Porque vão pagar tudo o que a usina movida a carvão. Mas aqui no Pecém deve ficar a todo vapor né, vem na contramão. Tendo sol e tendo vento, né? Então, nessa parte imobiliária, o negócio do meu sonho, nós fomos ali no Central Park, ali em frente ao Parque Cocó. E agora vamos partir num shopping grande, no entroncamento ali do Anel Viário com a CE-040, ali vai ter um shopping num terreno de 70 mil metros quadrados, já tem Clube do Vaqueiro, não sei se alguém conhece (risos). Acho que fechou, né?

 

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Mas ali, naquele entroncamento ali da CE-040, na esquina vai ter um shopping (um empreendimento bem interessante que vai ser implantado lá), na outra esquina tem outro empreendimento que é uma esquina nossa também (vai ser um grande supermercado atacadista), e naquela outra onde tem o Colégio Farias Brito é que fica o Portal do Eusébio. O Portal do Eusébio ele está num vetor de crescimento, aquele pinguinho amarelo lá [aponta para o slide] é o Portal do Eusébio. Na esquina, na diagonal ali, vai ser o shopping e o atacadista em frente. E aí, o Portal do Eusébio e o Colégio Farias Brito (que já está implantado desde as turmas infantis até o pré-vestibular). Nesse empreendimento, pessoal, para vocês terem uma ideia, tem Open Mall ao lado e na esquina deverá ter outro grande empreendimento que vai ser implantado aí (espaço para prédios comerciais, empresariais). Quando você passa daquele arco para dentro, são 14 quadras residenciais, em cada quadra de três a quatro torres. Deverão morar aí aproximadamente 10 mil pessoas. E então, é um empreendimento. São as 45, 50 torres residenciais e que, se o mercado melhorar (porque a população brasileira infelizmente empobreceu)... Empobreceu muito, a renda brasileira ela é direcionada a um saco sem fundo chamado Governo. A máquina governamental dos impostos que a gente paga — que não são poucos, viu? Quem pensa que não paga imposto, “rapaz eu sou isento”, compra gasolina que a metade é imposto, consome uma energia dessa que a metade é imposto, compra um pneu de carro que a metade é imposto, compra uma passagem aérea que a metade é imposto e por aí vai... 

 

Então, é um sistema perverso — o sistema é muito perverso. Está todo mundo preocupado com imposto de renda, imposto de renda é o que o pobrezinho do leão que tá sem dente aparece. A menor mordida é a do leão, viu? Então, nós estamos pagando imposto demais para receber de menos, né?! Hoje, para quem emprega, é muito para quem paga e pouco pra quem recebe. Porquê? Porque estão liquidando o mercado. Isso é que eu queria trocar essa ideia com vocês aqui, porque eu me considero um sobrevivente. Me considero um sobrevivente, agradeço a Deus todos os dias porque foram muitos planos econômicos, e a gente continuar aqui em pé falando, conversando com vocês… Então eu só tenho que agradecer mesmo, porque foi tanta turbulência. O Brasil vai se acabar? Vai não, eu acho que enquanto tiver brasileiro com coragem de defender esse país, com coragem de trabalhar, esse país é cheio de oportunidades.

 

O que nós temos é que realmente trincar os dentes, ver alguém com coragem para dar um freio de arrumação nesse país, para ter o mínimo de condição de você produzir, empregar, gerar riqueza, para que a gente volte a ser alguma coisa no cenário mundial. O Brasil, de julho de 2017 para julho de 2018, perdeu 380 bilhões de dólares de riqueza das pessoas. Anotem o número aí, viu? 380 bilhões de dólares de riqueza das pessoas foi virado pó de julho, em um período de doze meses. Então, metade de 2017 e metade de 2018. A riqueza era calculada em 2 trilhões e 880 bilhões de dólares. Nós empobrecemos, fomos para 2 trilhões e 500 bilhões de dólares. 380 bilhões viraram pó na riqueza das mãos dos brasileiros. A gente declara imposto de renda, essa tal declaração… Todo mundo tem a sua evolução patrimonial, então isso aí o pessoal perturbou mas já sabia perfeitamente.

 

Agora em maio, o governo já tem ideia perfeitamente se nós empobrecemos ou se nós enriquecemos nos últimos doze meses… Seguramente eles sabem disso. E tem um órgão aí mundial que faz o comparativo: enquanto nós encolhemos 380 bilhões, a América do Sul perdeu 420 milhões, 40 foram nos outros países tudim da América do Sul e o Brasil foi o campeão na perda. Senhores, isso é muito sério. Aí meu perguntam: “Quando é que você vai lançar o Portal do Eusébio?”. Eu digo “eu não sei”. O banco de sangue eu já me despedi dele faz tempo! Então, a estrutura está toda feita, toda bonitinha lá… Mercado melhorou, eu piso no acelerador. Não melhorou? Tem lá um portãozinho bem bonitinho, cadeadozinho, espera um pouco. Não adianta você vender, as pessoas quererem comprar, e não terem como pagar. Não adianta! Não adianta você fazer o Minha Casa Minha Vida lá, vai vender todinho, mas não é isso que nós queremos. Nós queremos dar uma contribuição para mudar o perfil daquilo. Hoje as pessoas que moram ali no Meireles saem da portaria do prédio e não podem dar uma volta na quadra; são assaltados! Você vai morar convivendo com a natureza, colégio na porta, prédio corporativo empresarial que você vai à pé, supermercado vai à pé, vai ter um open mall lá com várias lojas, vai ter do outro lado da avenida um grande shopping, vai ter supermercado atacadista, enfim… Com toda condição de ter vida própria lá, entendeu? Bons restaurantes, boas escolas…

 

Então, nós queremos que vire um objeto de desejo das pessoas, que as pessoas queiram qualidade de vida e que possam realmente morar lá. Eu quero construir torre lá? Não quero, dar meu dinheiro pra construtora A ou B? Meu filho, construa, a regra do jogo é essa. Você quando construir, me paga, e estamos conversados. Carne grande, pouco mercado, para que aquilo não vire um Frankenstein. Nem ele comece a fazer Minha Casa Minha Vida lá dentro, é uma coisa bem orientada, bem planejada. Andei muito mundo afora para poder realmente maturar isso. A légua ali, são 27 ou 28 escrituras, tudo eram sítios. Nós fomos comprando, passamos 15 anos para conseguir a área toda. Por quê? Porque era uma negociação, era outra; se tivesse tudo no meio ali que soubesse “rapaz, o homem vai comprar tudo!”, ficava empancado. Compramos tudo, ficamos cercados de ruas, tá tudo bonito lá. Eu tenho certeza que será um bairro referencial aqui na nossa Grande Fortaleza — a exemplo dos Jardins Ibiza, que foi empreendimento nosso, que foi entregue, e quem tem o privilégio de morar lá é feliz! O presidente do Banco do Nordeste mora lá, no Ibiza.

 

Então, realmente, são coisas que a gente faz e que fica a marca, pessoal. Eu estou dizendo isso aqui para vocês porque realmente é muito gratificante eu, depois de 50 anos de batalha, ainda estar fazendo projetos. E continuo fazendo projetos, falei que tenho um compromisso logo mais e já é uma coisa que me acompanha dentro dessa área aí (que preciso assinar 1h da tarde). E tanto essa parte imobiliária como a parte de energia são duas coisas que estão me fascinando, e eu quero realmente deixar meu legado. Tenho certeza que através da dedicação à causa coletiva, que se deu através das entidades de classe (começou com sindicato, depois no SIC, na FIEC, na CI), é tirar uma parte do seu tempo precioso e dedicar à causa coletiva. Não existe coisa mais gratificante do que você poder dar uma parcela de contribuição. Você pensar só em si, a gente morre e não leva nada. O que a gente deixa é o legado. Pessoal “ah, mas pra quê que você quer trabalhar mais? Você já tem tanto dinheiro?!”. Meu amigo, eu não sou contador de dinheiro, não, nem caixa de banco. Meu negócio não é dinheiro, é trabalhar e ser feliz com aquilo que eu faço. Tem dificuldades? Tem. Mas quando você gosta do que faz, quanto mais dificuldade melhor. 

 

Porque tem aquelas pessoas que te puxam para trás, aí você mostra que tem energia para superar a adversidade. Aí aparece um problema: “rapaz, mas tu vai fazer esse negócio mesmo?”; “vou!”; “mas não dá certo por isso não”; “dá não? Tá certo…”. Eu vou por outro lado e consigo superar. E vou superando, vou me superando e é isso aí que faz a gente viver com mais dignidade, com mais determinação. Tem sido assim a vida toda. Agora negócio de atalho, de você estar dormindo com medo de amanhecer com a Polícia Federal na sua porta, esse aí deve ser uma coisa muito sem graça, sabe? Deve ser uma coisa muito sem graça. Então, o tal do atalho eu não recomendo a ninguém. O imediatismo, o negócio de você querer colher sem ter plantado, é uma coisa que não dá certo. Não dá certo e eu vejo isso acontecendo, e o Brasil está mudando (e muito)! E eu tô achando é bom. A coisa vai ficar realmente…

 

Se você olhar um pouquinho para trás, só uns 5 anos para trás… Bata a fotografia de 5 anos atrás e bata a fotografia de hoje: uma evolução grande! Ninguém pensava em senador ser posto pra fora, governador ser preso, ex-presidente no xadrez, né? Tubarão da construção civil na gaiola, e por aí vai, pessoal. Então, pessoal de governo que é intocável para fora, preso, perde o mandato. Então, tem que ser passado a limpo, porque senão não tem jeito, nós vamos morrer e não vê esse país participando do desenvolvimento a nível mundial. E o Brasil tem cacife para isso por conta do seu potencial! E as pessoas não são más, não, problema é que o exemplo está vindo lá de cima! O mau exemplo tá vindo lá de cima, há muito tempo. Então, eu acho que o Brasil tem jeito, o Brasil não vai se acabar, e compete a nós realmente arregaçar as mangas e reclamar, dar a sua contribuição, participar ativamente de forma construtiva.

 

Eu já me alonguei demais, queria me disponibilizar para trocar figurinhas com vocês. Obrigado!

(Aplausos)

Adm. Vladimir Spinelli retoma a composição da mesa e convida os(as) participantes para debate.

 

Palestra concedida para o projeto ‘Líderes em Ação’, da ACAD, iniciativa do Acadêmico Adm. Fernando Xavier cuja finalidade era apresentar e discutir os obstáculos e progressos por trás de iniciativas bem sucedidas, valorizando, principalmente, empreendimentos cearenses, regionais e/ou nacionais.